Economicamente, o choque foi inferior ao experienciado durante a I Guerra Mundial (1914-1918), conflito no qual Portugal participa, mas não deixou de se fazer sentir. Portugal não conseguiu escudar-se das dificuldades à importação de produtos consumíveis, matérias-primas ou bens, que resultavam do facto de o conflito em vigor visar, precisamente, os países exportadores.
O racionamento foi uma realidade, embora nunca tão acentuado como noutros países, e existiu uma contenção à exportação de alguns produtos essenciais (como o alcatrão, estanho, certos químicos e produtos lácteos).
No entanto, a oportunidade de comercializar volfrâmio com ambos os lados em guerra, traduziu-se na exportação crescente deste minério. Primeiramente, o acordo foi estabelecido com o Eixo, em janeiro de 1942, traduzindo-se no fornecimento de 2.800 toneladas por ano. Logo em Setembro do mesmo ano, os Aliados forjaram também um acordo com o Estado português, duplicando o número de toneladas fornecidas. Até à proibição da venda de volfrâmio em 1944, a balança comercial nacional equilibrava-se debilmente, lutando com as dificuldades de escoar também produtos e manter relações comerciais pela via marítima.
Culturalmente, este foi um período vibrante em Portugal. A chegada de refugiados de outros países e o estabelecimento do país como ponto profícuo para a espionagem internacional, significaram um crescente contacto e influência do exterior. Do estrangeiro chegavam artistas, cientistas, mulheres independentes, famílias inteiras, muitos dos quais procuravam a fuga da Europa para outros pontos do globo, nomeadamente para os Estados Unidos da América.
A chamada “contaminação cultural” era amplamente comentada pela imprensa, marcadamente temida e vigiada pelo regime. Na imprensa, os lados em confronto também se faziam assinalar através da circulação de publicações afectas a ambos. A própria propaganda assiste a consideráveis transformações com a chegada de publicações como A Esfera (propaganda do Eixo) e Mundo Ilustrado (propaganda dos Aliados), de edição e distribuição portuguesa, e Signal (propaganda do Eixo) e Guerra Ilustrada (propaganda dos Aliados) publicações editadas e distribuídas pelos beligerantes para o público em Portugal.
Esta exposição virtual com imagens pertencentes à colecção da Hemeroteca Municipal de Lisboa, foca-se em publicidade alimentar produzida durante este mesmo período. A escolha sobre este particular segmento permite observar uma aposta vincada em produtos nacionais, o que coincide com a política proteccionista à produção nacional, adoptada pelo Estado Novo durante o referido período.
Os géneros abrangidos pela publicidade seleccionada são variados, recaindo substancialmente em produtos lácteos e farinhas, assim como chás, águas e bebidas espirituosas. As publicações versadas para a escolha das imagens em exposição, vão desde jornais como o Diário de Lisboa, iniciado em 1921 com amplas reportagens publicadas sobre o conflito europeu e que teria uma longa vida de publicação até ao final dos anos 80; a revistas de grande tiragem e circulação durante a primeira metade do século XX, como a Ilustração Portuguesa ou Panorama.
No caso da Ilustração Portuguesa, trata-se de uma revista que inicia publicação em 1903, a qual torna inovadora a utilização da imagem através da fotografia e se destaca como um dos primeiros magazines do século XX português. Já a Panorama, criada pelo Secretariado de Propaganda Nacional em 1941, procurava ser uma coletânea de promoção ao turismo nacional, recorrendo à imagem em larga escala para esse efeito, aplicando a mesma lógica à publicidade que incluía nas suas páginas. Também publicações de cariz municipal, como a revista Olisipo, iniciada pelo Grupo dos Amigos de Lisboa em 1938, seleccionava publicidade alimentar para preencher as páginas dos seus números e publicidade de locais icónicos da cidade, como o café Martinho da Arcada.



Nesta selecção apresentada, pode conhecer um pouco mais sobre os produtos alimentares publicitados na imprensa portuguesa, durante um período de mudança e transformação do mundo.

* Esta exposição (online) resulta da parceria estabelecida entre o Museu das Marcas e a Hemeroteca Municipal de Lisboa.


































































