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(1966)
Bilhete de avião TAP
(1979)
Bilhete de avião TAP
(Anos 70)

Nascida com a necessidade de criação de uma companhia de aviação comercial que estabelecesse linhas aéreas regulares unindo Portugal não só aos seus territórios ultramarinos como a outras partes do mundo, em 14 de Março de 1945 é constituída a TAP – Transportes Aéreos Portugueses.

De modo a dar corpo à nova empresa, as suas primeiras missões tiveram por finalidade a selecção do pessoal técnico e a aquisição das aeronaves. A companhia inaugurou os seus serviços a 19 de Setembro de 1946 com o voo Lisboa-Madrid, decorrido sem qualquer sobressalto. Apesar da sua actividade ter começado com uma pequena frota composta por três DC-3, a TAP depressa adquiriu renome em consequência da sua disciplina interna, vincada na segurança de voo e destreza na pilotagem de aeronaves.

Nos anos seguintes a empresa aumenta a sua frota através da aquisição de quatro aviões C-54 Skymaster, e expande as suas rotas. Foi criada a Linha Área Imperial que unia, semanalmente, Lisboa-Luanda-Lourenço Marques, começou a explorar as carreiras diárias Lisboa-Porto e a ligação trissemanal Lisboa-Paris. Em 1948, a TAP tornou-se membro da IATA – Associação Internacional de Transporte Aéreo, organização que tem por missão liderar e servir os seus membros de forma a impulsionar a indústria do transporte aeroportuário.

Um ano mais tarde, a Ilha de S. Tomé passou a estar incluída na Linha de África e foram inauguradas duas novas ligações: uma bissemanal entre Lisboa-Londres e outra semanal entre Lisboa-Roma. Nos inícios da década de 1950, a TAP empregava cerca de 400 funcionários, sendo a sua frota composta por onze aviões: seis DC-3 Dakota, três DC-4 Skymaster e dois Beechcraft para instrução. Nesta altura a empresa passou também a prestar a assistência técnica nos aeroportos de Pedras Rubras e Portela a todos os aviões das companhias de aviação estrangeiras.

Em 1953 a TAP, que até aí tinha sido um organismo do Estado, foi privatizada de modo a possuir maior encaixe financeiro para as suas operações, fazendo parte do seu vasto leque de accionistas, companhias de navegação, bancos e outras grandes empresas. Esta mudança teve efeitos positivos na vida da empresa, dando-se início a um período de expansão que culminou com a entrada em funcionamento dos Lockheed L- 1049 G Super Constelation que lhe permitiam pensar em competir com as suas congéneres, coisa que até aí não tinha sido possível.

Contudo, seria verdadeiramente com a entrada em funções de Alfredo Vaz Pinto que a TAP conheceria um crescimento e expansão nunca antes vistos na história da empresa. Durante o seu consulado, efectuou-se a transição para a era a Jacto com a compra de aviões Caravelle e Boeing, tornando-a numa grande companhia área de projecção internacional. Para enfrentar possíveis problemas relacionados com esta transição a empresa criou a SENA – Serviço Especial para os Novos Aviões, cujo o objectivo passava por exectuar todo o trabalho relacionado com a entrada ao serviço dos aparelhos encomendados, bem como a preparação do pessoal.


Este trabalho mereceu o reconhecimento da própria Boeing que chegou a aconselhar companhias como a Air France e deslocarem-se à TAP para estudar os seus métodos de organização.


Ao mesmo tempo a empresa alargou as suas rotas para destinos como Zurique, Genebra, Frankfurt, Munique, Bruxelas, Amesterdão, Copenhaga, Nova Iorque, Açores, Madeira, Faro, Las Palmas, Joanesburgo, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Buenos Aires e Salisbury (Harare, Zimbabué). Foi notório o crescimento empreendido pela companhia entre 1959 e 1973, com o número de empregados a subir de 1079 para 8566, a rede a aumentar de 14 537 para 95 520 quilómetros e o número de passageiros transportados de 77 202 para 1 589 154.

Como consequência da Revolução do 25 de Abril de 1974, e das suas novas coordenadas económicas a TAP, foi nacionalizada a 15 de Abril do ano seguinte, numa época em que a empresa enfrentava os desafios da instabilidade económica provocada pela Crise do Petróleo, e a perda da sua principal fonte de receitas, a linha de África. Este período ficou também marcado pelo célebre episódio da Ponte Aérea, através do qual a companhia repatriou milhares de portugueses oriundos dos antigos espaços ultramarinos para Portugal continental.

Porém, mesmo em tempos atribulados a empresa alargou as suas rotas a destinos como Caracas, Milão, Kinshasa, Lyon e Manchester. A década ficou ensombrada pela maior tragédia da aviação ocorrida em Portugal, quando um Boeing 727 da TAP se despenhou na Madeira, em 1977, provocando 131 vítimas. Em 1979, a companhia sofreu um restyling, apresentando nova pintura nos aviões, logotipo e uma nova marca mais internacional: TAP Air Portugal.

A década de 1980, foi pontuada por altos e baixos, apesar de uma profunda restruturação na companhia. Em 1981 foi lançada a “Atlantis” a primeira revista de bordo, e Teresa Carvalho tornou-se a primeira mulher piloto da companhia. Em 1984 foi constituída a Air Atlantis, empresa subsidiaria para operações charter, e no ano seguinte foi inaugurado o museu da TAP. Os anos de 1990 ficaram marcados pela renovação da frota da TAP, tendo a escolha recaído na Airbus, pela sua versatilidade e economia. Em 1996 foi lançado o primeiro website da companhia. Em 1998 a companhia foi parceira estratégica da EXPO 98, tendo decorado a preceito um dos aviões da sua frota para divulgação do evento o nível internacional.

Entre 2000 e 2018, Fernando Pinto imprimiu um novo modelo de gestão de modo a potencializar todo o manancial da empresa. Em 2005, foi feito um novo restyling à marca que passou a designar-se por “TAP Portugal”, sendo apresentado o actual logotipo. A companhia passou a fazer parte da Star Alliance, assumiu o controlo da Varig Engenharia e Manutenção (o maior centro de manutenção da América do Sul) e foi concretizada a integração da PGA. Em 2015 a empresa foi privatizada através de um consórcio liderado por David Neeleman e por Humberto Pedrosa, porém, em 2020 a Pandemia de Covid-19 arrasou com essas pretensões. Desde então, a TAP viu a sua dívida crescer de forma astronómica obrigando o governo de António Costa a assumir a responsabilidade da sua gestão. Nos últimos tempos, a companhia não tem tido vida fácil, estando envolvida em inúmeros escândalos políticos que em nada têm contribuído para o bom nome da empresa.