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Cartaz Sacor
(1950)
Carteira de Toalhetes Limpa-Vidros Sacor
(Anos 60)
Cartaz Sacor
(1984)
Cartaz Sacor
(1963)

Até 1938, ano da constituição da SACOR, o sector petrolífero em Portugal era dominado por quatro empresas: a Vacuum, a Atlantic, a Shell e a recém-criada SONAP de Manoel Boullosa. Nos sectores financeiro e industrial, os ideólogos do novo regime legitimado pela Constituição de 1933 clamavam por políticas autárcicas que mudassem a face do país. Foi com base nesses pressupostos que, em 12 de Fevereiro de 1937, foi publicada a lei n.º 1947 (Lei dos petróleos), com o objectivo de fomentar a necessária autonomia e auto-suficiência do país no campo dos petróleos.

Com o intuito de controlar um empreendimento de interesse estratégico para o país, o Estado português, seguindo o modelo francês, promoveu a constituição de uma empresa de capitais mistos (privados e públicos), na qual detinha uma forte presença decisória. A escolha recaiu sobre o romeno Martin Sain, profundo conhecedor do mundo da produção e distribuição do “ouro negro”. Foi à sua empresa (Redeventza), que o Estado atribuiu o alvará para a instalação de uma refinaria de petróleo bruto, assim como a exploração e comércio dos produtos petrolíferos (gasolina, petróleo, gasóleo e fuelóleo) numa cota de 50% de todo o mercado nacional durante 20 anos.

Sain não perdeu tempo, e por 3200 contos comprou uma nesga de terreno em Cabo Ruivo; num prazo extremamente curto, construiu uma refinaria onde muitos técnicos estrangeiros consideravam ser uma tarefa impossível. A verdade foi que tais desafios foram ultrapassados e após um ano o país possuía, em 1939, uma refinaria com uma capacidade instalada para 240.000 tons de petróleo bruto. Porém, o eclodir da II Guerra Mundial, o aumento exponencial dos preços do crude e dos fretes marítimos acabou por condicionar os primeiros anos de vida da nova empresa.

Durante este período crítico, a refinaria de Cabo Ruivo chegou mesmo a parar durante alguns meses. Terminado o grande conflito, disparou a procura mundial pelos produtos petrolíferos e Portugal não foi excepção.

De modo a garantir a sua auto-suficiência, a SACOR tomou duas importantes resoluções: a primeira foi a sua participação em 25% no capital da SOPONATA – Sociedade Portuguesa de Navios Tanques, empresa que passou, a partir de 1947, a assegurar em exclusivo o transporte das ramas petrolíferas para as suas instalações; a segunda prendia-se com a necessidade da ampliação da refinaria de Cabo Ruivo, visto que nesse momento a sua capacidade de produção já se encontrava praticamente esgotada.

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(Fonte: Memória Nacional)

A década de 1950 foi uma fase de afirmação e consolidação da marca, expandindo a sua rede de postos de abastecimento por todo o país, com soluções arquitectónicas que iam de estéticas mais tradicionais a designs arrojados utilizando grandes palas, arcos ou colunas estilizadas de estilo modernista. A empresa alargou as suas actividades ao Ultramar tendo constituído, em 1953, a Angol, para distribuição e prospecção em Angola e a Moçacor, em 1957, para distribuição em Moçambique.

No campo social, a empresa fez erguer, na Bobadela, uma Cooperativa na qual os funcionários poderiam abastecer-se a preços mais acessíveis, um Clube de Futebol com campo próprio e um bairro social.


Através das suas campanhas publicitárias, reclames luminosos, postos de abastecimento e brindes oferecidos aos clientes, era uma empresa muito próxima do consumidor, sendo ainda hoje recordada com uma certa nostalgia pelas gerações mais velhas.


O rápido crescimento económico da década de 1960 teve repercussões no sector petrolífero. O aumento acentuado da procura de combustíveis, levou à criação da Refinaria de Matosinhos, fruto de uma pareceria entre a SACOR e a SONAP. Inaugurado em 1970, o novo complexo petrolífero e petroquímico tinha uma capacidade inicial de refinação de 2 milhões de toneladas/ano, tendo sido ampliada para 6 milhões pouco tempo depois. No início dos anos 70, mais do que uma empresa, a SACOR era um verdadeiro grupo empresarial constituído por empresas como a Sociedade Portuguesa de Petroquímica, CIDLA (venda de gás butano e propano), Petróleo Mecânica Alfa (produtora de bombas e equipamentos para estações de serviço), Nitratos de Portugal, AGRAN (adubos nitro amoniacais, enxofres e outros produtos para a agricultura), Sacor Marítima (transporte marítimo de combustíveis e gases liquefeitos) e Geogás (estudo e importação de gás natural).

Nas vésperas do 25 de Abril de 1974, a SACOR dominava 50% do mercado nacional de combustíveis. Porém, as profundas mudanças políticas e económicas trazidas pela Revolução ditaram a sua nacionalização, dando origem em 1976 à PETROGAL – Petróleos de Portugal EP.