
(Anos 50)
Esta emblemática marca de jogos de tabuleiro nasceu em 1939, ano em que as nuvens negras, que já há algum tempo se adensavam no horizonte, conduziram a Europa para a Guerra. Esta ideia surgiu após uma visita que Mário José António de Oliveira efectou à Alemanha, na qual descobriu as virtudes e encantos dos jogos de tabuleiro. Gostou tanto deles, que começou a desenhar e a criar jogos semelhantes, uma vez que em Portugal não existia nenhuma empresa especializada no fabrico desse tipo de artigos.
Determinado a dar asas à sua criatividade, Mário Oliveira decidiu lançar-se nesta actividade, fazendo da cave dos seus pais na Av. da Boavista, no Porto, o berço da Majora. Em 1943, pressentindo que o negócio teria um futuro promissor, despediu-se do seu emprego e convidou o seu irmão a juntar-se a si e fundaram a Mário J. Oliveira & Irmão, cujas instalações ficavam localizadas na Rua das Taipas, no Porto.
Através de jogos como “Pontapé ao Goal”, “Jogo da Glória”, “Loto”, “Monopólio” (fabricado sob licença da Hasbro) e “O Sabichão”, a marca foi pouco a pouco conquistando o coração dos portugueses, afirmando-se no sector.
Dentro da fábrica, Mário José de Oliveira possuía um grupo que alguns apelidavam de “departamento de invenções”, responsável pela criação de novos jogos ou outro tipo de brinquedos. Consciente da necessidade de estar sempre a par das últimas novidades e tendências, o empresário visitava regularmente feiras, nas quais encontrava também inspiração para novos jogos.
Em 1968, a Majora inaugurou novas instalações na Rua Delfim Santos, na nova zona industrial do Porto, e no auge da sua produção chegaram a trabalhar no espaço 130 pessoas. A marca foi tentando sempre ajustar-se às novas realidades e gostos, ao mesmo tempo que expandia a sua gama de produtos para os brinquedos, livros infantis e os puzzles. O desporto foi a grande inspiração para alguns jogos que alcançaram grande popularidade como “A Volta a Portugal em Bicicleta”, “Rallye Automóvel” ou “Corridas de Cavalos”. Como referiu Alfredo Amável, antigo funcionário da empresa “eram jogos muito simples, que as famílias podiam jogar em conjunto”.
Contudo a chegada da era digital e a feroz concorrência imposta pelas marcas estrangeiras deste sector acabaram por colocar a Majora em sérias dificuldades. A empresa ainda tentou reagir lançando um segmento de jogos de tabuleiro mais elaborados casos de “Aljubarrota”, “Petróleo SA”, “Jogo do Euro” e “Bolsa de Valores”, bem como o fabrico de brinquedos com as personagens da moda (Hello Kitty, Noddy, Ruca ou SpongeBob) mas as vendas começaram a cair progressivamente. Em 2013, os descendentes de Mário José de Oliveira, foram obrigados a encerrar a empresa, que no ano seguinte seria, porém, adquirida pela The Edge SGPS. Esta incubadora de ideias liderada por José Luis Pinto Basto decidiu revitalizar as memórias e o legado da marca, mantendo-a em actividade até aos dias de hoje.
Sabia que…
O nome Majora advém do seu criador MArio JOsé OliveiRA. Antes de fundar a marca, o seu primeiro emprego foi como técnico de contas na cordoaria Oliveira e Sá.
Estima-se ao longo da sua actividade a Majora tenha criado mais de 300 jogos e brinquedos abrangendo múltiplos temas.
Gabriel Ferrão foi durante décadas o ilustrador que deu corpo à decoração dos jogos de tabuleiro bem como dos livros infantis da marca.


