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Esta conceituada bebida de renome mundial foi inventada em 1886 pelo farmacêutico de Atlanta  John Pemberton. Frank Robinson, contabilista da empresa, foi o autor do nome e do famoso logotipo da marca que perdura até aos dias de hoje. De modo a promover a nova bebida e estimular o seu consumo, desde logo os responsáveis da empresa aperceberam-se que era essencial apostar na publicidade, levando a que por volta de 1895 a bebida já se encontrasse disseminada pelos quatro cantos dos Estados Unidos.

Nos primeiros anos do século XX, a rede de distribuição da Coca-Cola era composta por 2300 vendedores, estando presente em mais de 415.000 lojas, ao mesmo tempo que iniciou a sua tímida internacionalização. Nos finais da década de 1920 assistiu-se à primeira tentativa de comercialização da bebida em Portugal. Através da publicidade inserida em periódicos, sobretudo no Diário de Lisboa, constata-se que a sua venda tenha apenas ocorrido entre os meses de Julho e Agosto de 1927, tendo desaparecido posteriormente a essas datas, toda e qualquer referência à bebida.

A forte oposição da Ditadura Militar, bem como da figura do Dr. Ricardo Jorge, então director de Saúde de Lisboa, que terá mandado apreender o produto, por este conter cocaína, acabou por gorar as expectativas da marca. Daí por diante, assistiu-se a uma bizarra contradição: enquanto que em Portugal era proibida a venda de Coca-Cola, a mesma era comercializada livremente nos seus territórios ultramarinos. Aos mais endinheirados, durante largas décadas restou como solução mais próxima, ir a Espanha, para apreciar a popular bebida.


Mais do que uma simples bebida a Coca-Cola foi pioneira na arte de saber comunicar e fazer publicidade. Logo em 1906, a marca passou a contar com os serviços de prestigiadas agências publicitárias, primeiro pela D´Arcy, seguindo-se a partir dos anos 1950 a McCann-Erickson Inc.


Ao longo das décadas, a marca foi ganhando fama devido à sua originalidade em promover o seu produto, lançado calendários, relógios, bandejas, marcadores e todo o tipo de brindes que ainda hoje fazem as delícias dos colecionadores. De modo a fazer passar a sua mensagem o mais abrangente possível a sua estratégia de marketing passou por um considerável investimento em publicidade nos principais periódicos, bem como uma aposta em novos formatos publicitários através de outdoors, patrocínio de programas radiofónicos e campanhas direcionadas a diferentes tipos de público, ligando figuras mediáticas de cantores, actores ou desportistas à marca. Reputados ilustradores como Haddon Sunblom, Norman Rockwell, N. C. Wyeth, ou o designer Raymond Loewy contribuíram para a sua notoriedade.

Publicidade “Coca-Cola… a tal!” (1979)
(Fonte: Memória Nacional)

Outro dos factores para o seu sucesso foi o seu cariz inovador, ao ser a primeira marca a introduzir no mercado a primeira embalagem de seis garrafas (1923), a primeira máquina automática de venda de bebidas (1933), os primeiros copos de papel (1941), introdução das latas de alumínio (1960) ou as embalagens PET. Durante o segundo conflito à escala mundial, a Coca-Cola foi mesmo considerada vital para o esforço de guerra, nunca tendo interrompido a sua produção. Nos finais da década de 1950, a bebida era distribuída por uma rede de 1700 engarrafadores, estava presente em mais de 100 países, representando as suas vendas 33% do total das suas receitas.

Nesta década, a televisão tornou-se num importante veículo de entretenimento de massas, e a marca decidiu tirar partido do seu poder, patrocinando programas, e lançando os seus primeiros anúncios televisivos. Em finais dos anos 60, houve uma nova investida para a produção da famosa bebida no nosso pais, quando em 1969 a COPOREL – Companhia Produtora de Refrigerantes Lda, pediu autorização para produzir e fazer a distribuição da Coca Cola em Portugal Continental. Porém, mais uma vez, tal pedido acabou por cair em saco roto, argumentando o Estado que a bebida possuía ingredientes incluídos na cafeina comparáveis aos estupefacientes podendo provocar habituação, alertava ainda para os possíveis danos causados ao sector dos refrigerantes nacionais com a entrada da marca.

Em inícios de 1973 foi vez da Sociedade Central de Cervejas em parceria com a José Maria da Fonseca se interessar pelo tema, tendo iniciado negociações para a produção e venda da popular bebida, porém será já depois da Revolução de 25 de Abril de 1974 que a Coca Cola entrará definitivamente na vida dos portugueses, revolucionando hábitos de consumo. Finalmente em 1976 o empresário Sérgio Geraldes Barba, após negociações com a marca criou a Refrige – Sociedade Industrial de Refrigerantes S.A. concessionária da Coca Cola para Portugal Continental. No dia 4 de Julho do ano seguinte iniciou-se a venda do produto em Lisboa, estendendo-se depois ao resto do País.

Em 1982, foi lançada a Diet Coke tornando-se a primeira extensão das marcas da Coca-Cola, dois anos depois a marca tornou-se na primeira bebida consumida no Espaço. Foi também nesta década que a empresa passou a marcar presença em grandes eventos ocorridos no nosso país, caso da XVII Exposição Europeia de Arte Ciência e Cultura, um grande evento subordinado ao tema “Os Descobrimentos portugueses e a Europa do Renascimento”, o Campeonato Mundial de Juniores em 1991, a Lisboa Capital Europeia da Cultura 94, ou a Expo 98. Nas últimas décadas a marca estreitou ainda mais a sua relação com o desporto estabelecendo parcerias com a NBA, Jogos Olímpicos, Tour de France, e a NASCAR. De entre as diversas campanhas publicitárias que a marca tem realizado no nosso país, o anúncio “Hora Coca-Cola Light” foi um êxito estrondoso, perdurando até hoje na memória de muitos portugueses. Actualmente, a marca encontra-se presente em mais de 200 países, sendo uma das bebidas mais consumidas em todo o mundo.

Coca-Cola: Obra de Arte
(Fonte: Coca-Cola)